A arte até pode hibernar ou cair em um sono profundo, mas ela é imortal e disso eu tenho a certeza.

Nas décadas passadas, a nossa Pátria amada viu nascer intelectuais de alto calibre que uns, aliados à arte que os revestia, fizeram uma África mais poética e colorida com os seus ideais. A título de exemplo,    o movimento cultural “Vamos Redescobrir Angola”, fundado em 1948 em Luanda, cuja finalidade era de «incitar os jovens a redescobrir Angola, a produzir para o povo, a estudar as correntes culturais estrangeiras, mas com o fim de repensar e nacionalizar as suas criações válidas». É ainda nesta década que que Maurício de Almeida escreve o poema «Exortação» no qual insiste na urgência de se forjar uma poesia angola.

O mais curioso é que tal movimento foi criado por jovens doptados de um alto sentimento da causa Angola. E apesar de quase um século ter passado, os objectivos de tal movimento continuam sendo os mesmos que muitas associações de jovens hoje adoptam. Será que a história viciou-se a forjar uma nova elite de intelectuais angolanos? Será um Novo Renascimento? Que a Kianda queira que sim.

Podemos realmente definir os dois últimos anos como emergentes duma causa angolana pelos jovens? As artes, em particular a literatura, configurou-se um novo «hábito» entre a juventude angolana. Só temos de observar as inúmeras bibliotecas de rua, as chamadas despadronizadas, espalhadas por quase todos as as 18 províncias do país, o que isso por si só, já é um lembrete do despertar de consciência da importância da leitura para o corte da venda no seio da população. Ligados estão ainda os recitais de poesia, exibição de peças teatrais, exposições de artes e fotografia, concertos musicais… em geral, eventos de matriz cultural. Apesar de tantas dificuldades e um “tanto faz” de quem algo devia fazer, SIM, os jovens pintaram Angola com uma nova cor, a cor da cultura.

Não atrevo-me a citar nomes de movimentos culturais ou literários, sob pena de esquecer algum que por vários motivos não me sejam conhecidos. Mas sei da imensidão de jovens associados que ao passar dos dias reunem-se, cada um na sua cosmovisão, perfil e dimensão. Todos são agrupados sob o mesmo objectivo: doptar Angola de literácia cultural.

Vocês têm noção do que são capazes através dessas associações de artistas?

Se “a união faz a força” – como nos recorda o velho adágio – o ‘associativismo responsável’ causa mudanças: ‘pressiona governos’, impacta a vida das populações e ‘deixa marca na sociedade’!

— Arnaldo Soba.

Escritores, Músicos, Editoras, Artistas Plásticos, Desenhistas e outros, configuram-se a representação de um bocado de grão de areia que juntam-se formando assim o todo grandioso Deserto do Namibe – para o amém da arte no seu todo.

Sim, talvez se observe algum pouco de conhecimento de muitos deles. Mas a geração passada que ainda vive em simbiose com eles, tem a árdua e obrigada tarefa de formar cada um deles para o seu desenvolvimento e assim, para o desenvolvimento de Angola. Têm vontade de fazer a diferença e isso deve ser APRECIADO, pois desde a Geração Silenciada da década de 70, Angola e os seus intelectuais deviam já ter como regra: NÃO CALAR UM FILHO.

Qual é o seu nome afinal? Temos uma sucessora da Geração da Insana Idade? Produzirá mais? Certamente que produzirá e esperamos que as obras sejam de excelente qualidade. Não escondo a minha pessoal admiração e fé nisso que agora se levanta forte em prol de uma Angola nova.

Se for mera moda? É normal que seja. Mas não pensem que da Casa dos Estudantes do Império até às independências também não se iniciou numa moda; que talvez grandes intelectuais não começaram a produzir quando uma moda surgiu; que tanto grande percurso de quem admiramos iniciou-se numa moda…

Nesta moda, muitos serão selados pela arte e se tornarão grandes, mas iniciados na moda. Então um viva à moda!

Se a “GERAÇÃO QUE TREME É FOLHA” também poderá fazer diferente? Se essa for a nomenclatura, talvez, já seja a resposta da questão.

Daluka,

Estudante e autor do livro: À Pelagie, Com Outras Mil Incertezas

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